Diante do que sou, do que sempre fui. Ser só foi a minha segurança.
Usei minhas palavras para (d) escrever finais.
Agora, nosso começo. Eu, toda insegura.
O coração, que sempre manteve o mesmo ritmo,
de súbito o perdeu.
E de tanta ansiedade, foi parar na boca.
O susto do amor recém nascido.
O que já não cabe no peito.
Vomito meu coração e todos os medos.
Nas minhas mãos, já não sei o que fazer dele.
Te entrego. Vivo, frágil.
Você me toma com delicadeza e cuidado.
Mas o sentimento que me causa é violento. E fere sem querer.
Rasga o peito ao mesmo tempo que acaricia,
o encanto me apavora.
A força com que me entrego é a que não serve para lutar contra.
Desfaz as minhas certezas e traz outras, que serão sempre in.
Depois de estar ao seu lado, desperto com o medo.
A voz quase não sai, mas eu transpareço.
E confesso: é maior do que eu.
"Amar sem inquietação é amar sem amor" Carlos Drummond de Andrade